O site pretende explorar temas da psiquiatria e conceitos da psicologia jungiana em filmes de cinema.

O que está por vir

ATENÇÃO: A HISTÓRIA DO FILME PODE SER REVELADA NO POST. FICA A SUGESTÃO DE ASSISTÍ-LO PREVIAMENTE

O que está por vir

Sinopse: Uma professora de filosofia é surpreendida por mudanças em sua vida com as quais terá que lidar.

Trata-se de um filme que se desenrola evidenciando situações de mudança que a protagonista experimenta durante o período de alguns anos. Todas elas são de crise, no sentido de perda de um modo de ser e estar no mundo, obrigando-a ao novo, que chega de maneira imposta e inevitável. Evidencia-se o que chamamos de metanóia. A palavra grega metanoia é formada pelo prefixo “meta” que significa "o que transcende" e o sufixo “noia” que tem o sentido de "compreensão ou entendimento". Desta forma, a palavra metanoia significaria uma compreensão daquilo que está além, dizendo respeito a uma crise de transição ou passagem para um novo modelo. É a própria espera daquilo que ainda não se apresentou, o limbo entre o que era e o que virá a ser.

Os filhos crescidos, a traição do marido e a consequente dissolução de seu casamento, a modificação no formato conservador de seus livros didáticos, a proposta de um site de filosofia na internet, os estudantes protestando por mudanças são situações que chegam à protagonista sem lhe pedir autorização. Ao mesmo tempo se dá  o envelhecimento da mãe que perde sua autonomia e morre, além do confronto com o estilo alternativo e menos tradicional de viver, de seu antigo aluno e pupilo, Fabien. Nesses movimentos de mudanças está embutida  a interrogação sobre o que fica e o que se dissolve na vida, carregando o inevitável desconforto frente ao novo. A personagem segue enfrentando o que lhe é apresentado, sem desistir, sem deprimir, mantendo-se constantemente ativa e num grau de resiliência que poderiam ser compreendidos como uma postura de negação e defesa frente às ocorrências que se sucedem. Um outro entendimento mais rico e abrangente poderia supor que Nathalie vai se transformando a seu modo, conversando com seus livros e passagens filosóficas, a cada mudança que se apresenta. A protagonista dialoga com seu inconsciente através dos símbolos de sua literatura e de seu amor à sabedoria, como nos lembra a palavra filosofia, sua profissão. Há, ao longo do filme e, coerente com os momentos que a personagem vai vivendo, citações e reflexões que parecem retratar sua própria pessoa. Por exemplo, o questionamento sobre o que é a verdade e se ela existe de fato, os pensamentos sobre o caminho perdido, lido na ocasião da morte da mãe, as divagações a respeito da procura da felicidade, o estimado livro “a difícil liberdade” e, por fim, a compreensão de que o desejo e a esperança de ser feliz, vividos através da imaginação, são mais importantes do que felicidade em si.

Além daquilo que se perde, a película mostra o que restou, o que foi deixado pela mãe, no caso, a gata. Na figura do felino/gato temos o símbolo do feminino, o verdadeiro ‘eu’. Segundo Von Franz, o gato pode sugerir um modelo positivo de comportamento feminino, que pode não ser agradável, mas ainda assim é muito verdadeiro a si mesmo. O filme todo testemunhamos a surpreendente naturalidade de Nathalie, autêntica, genuína, transparente e sem contradições em seu modo de ser.

E finalmente, depois do que se foi e do que restou, surge o novo, com o nascimento do neto e a experiência de transmitir parte de si ao futuro, através do outro. A possibilidade de passar a um outro ciclo, um recomeçar e a chance de receber aquilo que ainda está por vir, como o próprio nome do filme já nos queria contar.

0 comentários:

Postar um comentário

 

Curta nossa página!

Siga o site para receber notificações sobre as postagens!

Copyright 2017 Psique Cinema - Todos os direitos reservados.