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Procurando Elly

ATENÇÃO: A HISTÓRIA DO FILME PODE SER REVELADA NO POST. FICA A SUGESTÃO DE ASSISTÍ-LO PREVIAMENTE

Procurando Elly

Sinopse: durante viagem de férias, mulher desaparece misteriosamente.

A historia se passa no Irã. Testemunhamos seus valores culturais e religiosos rígidos, fortemente estabelecidos e com pouco diálogo entre o tradicional e o novo. Este não é um filme francamente simbólico mas nos oferece a possibilidade, não menos enriquecedora, de participarmos de uma situação de conflito, como é o caso dessa película.

O filme realmente nos faz procurar Elly

Depois que a moça desaparece misteriosamente, uma apreensão nos envolve e participamos das dúvidas, angústias de cada personagem em seus conflitos entre desejo, transgressão, culpa, empatia e solidariedade. Percebemos que uma verdade pressupõe muitos caminhos para ser alcançada. Não somente certos, não somente errados. Há pontos de vista e há contextos que transformam aquilo que tentamos julgar apressadamente, e isso o filme nos faz sentir com frequência. Vamos acompanhando e sentindo com as personagens, as possibilidades de revelar, mentir, ocultar e disfarçar, sempre interrogando a premissa de que há só uma maneira de entendimento ou atitude para uma situação. No filme sentimos a influência do contexto cultural do país nos questionamentos que são feitos e nas decisões que vão sendo tomadas. Há claramente um predomínio das opiniões masculinas, evidente no modo rude como as mulheres são tratadas e francamente mostrado na cena de agressividade física do marido contra sua mulher.

Vale destacar três passagens simbólicas presentes no filme. A primeira é a abertura do filme que se dá na escuridão, silêncio e restrição de um túnel e contrasta com a clara e efusiva expressão emocional  que vem a seguir. Do silêncio do túnel passa-se a gritos de alegria e liberdade que, de pronto, nos confunde mas parece sugerir uma expansividade se contrapondo à repressão cultural e política do país.

Outro momento metafórico é apresentado quando Elly consegue fazer voar a pipa cor de rosa, correndo com independência, autonomia e sorrindo muito. Nesse momento sentimos ares de libertação vividos pela personagem que até então parecia desconfortável e reflexiva, apesar do contexto lúdico onde se encontrava. Algo parece ter mudado em Elly e essa é a última cena em que a moça aparece no filme, como se algo estivesse finalizado ou concluído.

Uma última passagem simbólica confronta o início com o final do filme. Do movimento livre e rápido do carro na primeira cena do filme, passamos à imagem de seu aprisionamento na areia da praia, na última cena. Parece ser outra alusão a um conflito entre autonomia, independência, emancipação e  rigidez, aprisionamento e constrição.

O filme traz a morte no mar, símbolo do inconsciente, como o fechamento possível para Elly frente ao impasse afetivo e moral que a personagem vivia. Não houve a possibilidade da morte simbólica daquilo que já não servia mais para Elly, seguida de transformação e renascimento.  Vemos prevalecer a tradição dos duros valores que muitas vezes não suporta o novo e traz a morte concreta como forma de finalização do conflito. Enfim, o filme é mudo, fatal e finaliza sem espaço para diálogos.

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