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Os 13 porquês

ATENÇÃO: A HISTÓRIA DO FILME PODE SER REVELADA NO POST. FICA A SUGESTÃO DE ASSISTÍ-LO PREVIAMENTE 

 

Os 13 porquêsSinopse: Uma série de fitas-cassetes gravadas por Hanna Baker, que cometera suicídio duas semanas antes, é o fio condutor da narrativa que explica as treze razões que a levaram à decisão de acabar com a própria vida.

A série trata de questões relacionadas ao período da adolescência.

A adolescência é um fenômeno psicossocial que se inicia com as mudanças físicas e biológicas características da puberdade.

Há na adolescência uma crise onde o jovem questiona sua maneira de estar no mundo, muitas vezes vivendo o conflito de desejar mas, ao mesmo tempo, temer romper as barreiras do lar e da segurança oferecida pelos pais. Há um ímpeto para desafiar mas há também a necessidade de se sentir parte de um grupo ou comunidade. Geralmente nessa etapa da vida inicia-se a vida sexual, carregada de conflitos, paixões, ciúmes, mudança de parceiros que surgem fazendo parte da experiência da vida amorosa.

A série tenta apontar as dificuldades, sentidas mais intensamente por alguns jovens, na aceitação por seus pares e o sofrimento vivido pela discriminação ou abuso de todas as ordens. Tenta também chamar a atenção para temas como machismo e suas dolorosas consequências. Tais questões não são novas e vêm sendo abordadas de inúmeras maneiras, com frequência cada vez maior. E devem permanecer, a meu ver, sendo discutidas e clareadas, responsabilizando-se os culpados e infligindo as punições cabíveis. Isso incentivará a busca por ajuda e trará a possibilidade de mudanças nesses ambientes hostis e geradores de patologias.

A série traz também uma questão bastante importante, a partir da qual é construída, que é o suicídio.

O suicídio obviamente também deve ser trazido às discussões públicas, familiares, escolares, aos filmes e à mídia em geral, devendo ser debatido abertamente. O tema necessita, no entanto, ser adequadamente tratado através de informações claras, objetivas e corretas. Há um alto risco para os jovens e também para a população em geral  se for abordado superficialmente, de forma infantil, simplista ou romantizada, fazendo do suicida um herói. Os adolescentes são, em geral, mais impulsivos, e aqueles jovens mais vulneráveis que podem estar se sentindo isolados, com dificuldade em pedir ajuda, usando drogas ou instáveis emocionalmente correm maior perigo se a questão for erroneamente apresentada.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio já é a segunda causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos no mundo, atrás somente de acidentes de trânsito. Tão ou mais importante do que isso, são os dados que indicam que 90% dos suicídios ocorrem em portadores de doenças psiquiátricas, mais especificamente, as depressões.

É preciso reconhecer que o suicídio é uma atitude extrema, causada por um transtorno grave psíquico e/ou emocional. O suicídio é o último dos sintomas de um quadro gravíssimo que abala todo o pensamento, assim como o derrame é o último sintoma de uma doença vascular não diagnosticada.

Todos nós devemos aprender a perceber sinais de risco de suicídio, estando alertas às mudanças de conduta de jovens adolescentes. Alguns desses sinais são: tendência a maior reclusão e isolamento, perda de prazer em atividades habituais, modificações na forma de encarar o mundo com visões fortemente negativas ou niilista, desânimo, agressividade ou impulsividade anormais, conversas sobre morte, automutilação, falta de sentido na vida e desesperança.

Ideias de tirar a própria vida e tentativas anteriores são importantes fatores de risco para o suicídio e merecem total atenção.

É absolutamente errada a ideia de que falar abertamente sobre suicídio aumenta o risco de sua ocorrência. Pelo contrário, o assunto deve ser abordado, questionado clara e diretamente, sendo imprescindível que se ofereça a devida ajuda ao indivíduo. Serviços urgentes de apoio por telefone, suporte de familiares e amigos, tratamento psicológico ou psiquiátrico são alguns desses caminhos de auxílio. Dessa forma, a prevenção da depressão e do suicídio em jovens definitivamente passará a ser encarada com a seriedade que lhe é devida.

Enfim, a mídia de maneira geral deve ser um caminho para o esclarecimento, reflexão, debate, discussão e fonte de conhecimento. Devemos apenas estar atentos à precisão e veracidade do conteúdo das informações e também ao contexto no qual são apresentadas.

 

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